(Português) ESE-IPVC acolhe exposição sobre Luiz Pacheco

A Escola Superior de Educação do Politécnico de Viana do Castelo inaugura esta manhã a exposição itinerante dedicada ao centenário de Luiz Pacheco. A mostra estará patente ao público até 11 de março e propõe um olhar panorâmico sobre uma das figuras mais singulares e interventivas da cultura portuguesa do século XX.
Escritor, editor, crítico cultural e dinamizador literário, Luiz Pacheco foi um dos mais complexos e multifacetados agentes do meio cultural português do século XX. A sua intervenção, marcada por uma postura crítica e por uma permanente tensão entre vida e obra, atravessou várias décadas e deixou marcas profundas na criação e disseminação literária em Portugal.
Desde os anos 1940, período em que contactou com autores como José Cardoso Pires e Jaime Salazar Sampaio, até à ligação ao movimento surrealista português através de Mário Cesariny, Luiz Pacheco afirmou-se como figura incontornável de um meio literário marcado por grupos, dissidências e debates estéticos intensos. Editor da própria obra e impulsionador de autores determinantes para a literatura portuguesa contemporânea, distribuiu publicações clandestinas, escreveu crítica cultural e construiu uma imagem pública provocatória, especialmente num contexto político repressivo.
Com curadoria de Rui Sousa e Ana da Silva, a exposição organiza-se em duas secções: a primeira, Panorama(s) do Homem e da Obra, apresenta, ao longo de seis painéis e de reproduções fac-similadas de fotografias, capas e documentos, um mapeamento das principais etapas do percurso biográfico e literário de Luiz Pacheco, evidenciando a indissociabilidade entre experiência vivida e criação estética. Este núcleo integra ainda documentação proveniente do espólio pessoal de Ana da Silva, incluindo correspondência trocada com José Saramago, datada de 1994 e 1995. A segunda secção, A Oficina de Luiz Pacheco, centra-se na dimensão processual e dialogante da sua escrita, reunindo testemunhos epistolográficos, páginas de diários, marginália e outros materiais que revelam o carácter experimental e interdiscursivo do seu projeto autoral.
A exposição resulta da articulação entre o espólio de Luiz Pacheco, ao cuidado da família, e o espólio pessoal de Ana da Silva, parcialmente depositado na Casa da Liberdade Mário Cesariny.
Patente na ESE-IPVC até 11 de março, a mostra convida a comunidade académica e o público em geral a revisitar o legado de um autor cuja escrita insurgente e intervenção crítica continuam a desafiar leituras e consensos. A entrada é livre.




