Marta Agostinho concluiu a sua formação em Turismo no IPVC no ano de 2006. Continuou os seus estudos no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa, e este mês concluiu o Mestrado na Universidade de Pequim (Beida), com a tese de mestrado intitulada "Turistas Chineses: Perfil e Percepções de Portugal". "O objetivo é disponibilizar informação mais aprofundada sobre a futura geração de turistas chineses", disse a investigadora, autora de um dos raros estudos portugueses acerca do emergente turismo chinês. “Numa altura em que a Europa está em crise, devemos investir mais na China" sublinhou ainda.
Em Paris e outras capitais europeias, as excursões de turistas chineses multiplicam-se, mas Marta Agostinho alerta "a imagem de Portugal que se vende na Alemanha ou no Reino Unido não funciona na China". "Os chineses gostam da praia como paisagem e não para tomar banho ou apanhar sol. Eles veneram a brancura", exemplificou.
Marta Agostinho visitou a China pela primeira vez em Maio de 2011, numa viagem de uma semana, e voltou no fim do ano com uma bolsa de estudo de seis meses concedida pelo Banco Santander e o China Construction Bank, no âmbito do programa Marco Pólo.
Em 2011, o número de chineses que viajaram para o exterior aumentou 20%, para 69 milhões, e, este ano, deverá exceder os 80 milhões. A esmagadora maioria fica-se por Hong Kong e Macau, duas Regiões Administrativas Especiais chinesas, mas cada vez há mais chineses a viajar para o Sueste Asiático, Estados Unidos e Europa.
Pelas contas da European Travel Comission, em 2030, a Europa atrairá cerca de oito milhões de turistas chineses, mais do dobro dos 3,8 milhões registados em 2010.
A Rússia, que recebeu então 848.000 turistas chineses, foi o destino mais procurado, seguido da Alemanha (593.000), França (558.000) e Itália (485.000).
Segundo estimativas portuguesas, entre 40.000 e 50.000 turistas chineses visitaram Portugal no ano passado. Esta semana, o Turismo de Portugal reuniu em Pequim nove empresas portuguesas do setor, a maioria das quais agências de viagens, e cerca de 30 profissionais chineses, na maior ação do género promovida na capital chinesa.
"Em termos de promoção na China ainda estamos no zero. O turismo representa cerca de 10% do PIB [Produto Interno Bruto] português, mas não se dá a devida importância ao setor", lamenta Marta Agostinho. A promoção, defende a investigadora, devia "realçar a História e a paisagem" e "concentrar-se em algumas regiões": "Os turistas chineses não terão tempo para ver tudo e procuram sobretudo coisas completamente diferentes do que têm no seu país".
Fonte: http://www.dnoticias.pt/dossier/turismo/330666-historia-e-paisagens-atraem-mais-os-chineses-do-que-a-praia